(ou como as pessoas se comportam estranhamente quando cagam de porta aberta).
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Daquela bela jogada talvez ele tivesse noção. Das belas pernas dela, não. Não que não fossem belas as pernas E ele um sem noção. É que elas estavam encobertas por uma camada de meias fio 40. E ele, enebriado com tamanha concentração. Pela jogada. Pelo jeito como deveria portar-se frente a ela. Uma roliça e pequena. Uma lustrosa e rápida bola 8. Uma difícil bola 8 que insistia em não cair. E ela instia em ficar ali. Ao lado da mesa observando. Palpitando mentalmente para que ele não investisse nela. Pelo menos não agora. Não queria que desperdiçasse a última chance. Estava no lugar certo na hora certo. Terreno livre. Mesa vazia. Poderia encaçapá-la ali mesmo se quisesse. Ela estava sozinha. Desamparada. Como a última bola do jogo costuma sentir-se nessas horas. Não iria cair, não dessa vez.
Mas ainda assim, sentia algo pelo adversário. Pelo adversário que agora tentava encaçapar a 8. Ou não. Talvez fosse apenas pose. Para a foto.
Mas ainda assim, sentia algo pelo adversário. Pelo adversário que agora tentava encaçapar a 8. Ou não. Talvez fosse apenas pose. Para a foto.